Na década de 20, o manifesto antropofágico proposto por Oswald de Andrade via a cultura brasileira como resultado da digestão de tudo o que era vindo do continente europeu e transformado em coisa nossa.
Tratava-se de uma imagem poética que podia ser vista como crítica a curta memória cultural de um país que nem tinha 500 anos e que se apegava as “tendências” de fora. Na época, Oswald e os demais modernistas partiam em busca de revelar uma identidade nacional, que ainda hoje é perseguida por artistas, pensadores… e estilistas. Exemplo deles é Ronaldo Fraga, que esteve ontem na V Semana de Moda e Cultura. Para ele, a discussão sobre identidade, que países europeus temiam perder nos anos 70, pode agora parecer “over”, mas para o Brasil continua a fazer muito sentido. “Ainda brincamos com essa história de fazer moda, ainda não demos o nosso tom, não encontramos a nossa cara”, diz Fraga.
Pensar sobre isso nunca foi tão importante como neste século 21, quando a moda aparece como uma das áreas mais democráticas da cultura e na qual se estabelece como valor o jeito particular de se olhar o mundo. “A herança cultural vai ser determinante para a construção da nossa moda”, profetiza. Contra rótulos de regionalista, Fraga cita filme de Wim Wenders: “identidade é a cidade que cada um traz dentro de si”, ao comentar que menos tendências anunciadas e mais características próprias é que vão tirar a moda da “chatisse” que vive hoje. A última coleção para o verão 2008/9 traz à tona a questão da transposição do Rio São Francisco e resgata a característica cultural dos ribeirinhos da região.












